“Na Idade Média, havia um consenso quanto a ler o mundo como se este contivesse mensagens para você.” - diz o entrevistador.
“Oh, ele certamente contém! Os mitos ajudam a ler as mensagens, eles lhe falam das probabilidades típicas.” - diz o entrevistado.
“Dê-me um exemplo.” - diz o entrevistador.
“Uma coisa que se revela nos mitos é que, no fundo do abismo, desponta a voz da salvação. O momento crucial é aquele em que a verdadeira mensagem de transformação está prestes a surgir. No momento mais sombrio surge a luz.” - diz o entrevistado.
O Poder do Mito, 1990, p. 41
“Por que você se empenha tanto nesses mitos? O que você vê no que Joseph Campbell diz?” Com essa reflexão, Bill Moyers abre o segundo capítulo, argumentando em seguida que se sente tocado pela sabedoria ali contida, ou seja, que ao acompanhar de perto o trabalho do mitólogo está seguindo seu coração. A opinião de Joseph Campbell está baseada na sua teoria de que o inconsciente tem base biológica, isto é, tem uma base comum em todos os seres humanos, pois todos habitam uma variação de um mesmo corpo humano teórico, teoria a qual também equipara esse ser humano a um animal, mamífero, vertebrado, etc. Sua fala também traz a imagem do ciclo da vida, pois a humanidade participa deste ciclo junto com o resto da natureza, fortalecendo o primeiro argumento. Então adentra no terreno da mitologia, evocando o conflito entre águia e serpente. Não um conflito natural, mas um conflito de arquétipos, que são gerados, adivinhe só, pelo inconsciente. Pensando nos elementos alquímicos: o fogo foi o primeiro que surgiu, né, então dele surgiu a água, sua oposta. Estes são os dois elementos completos. Deste ‘nascimento’ surgem primeiro o ar, e então a terra, sua oposta. Estes são elementos incompletos, para a alquimia. Nesta linha de raciocínio, há realmente uma história para contar sobre águia e serpente. Um representa o calor e a humidade, enquanto o outro, frio e secura. Como os arquétipos estão dentro de nós, e a humanidade almeja o equilíbrio, aqui está a solução defendida por Campbell: a fusão de ambos, resultando no dragão, ou seja, a serpente alada. Esta é uma imagem reconhecida universalmente, e atire o primeiro raio quem nunca ficou curioso diante dela. (Piada ruim)
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