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Sobre "O Poder do Mito" - Capítulo 1

“Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos.”  

     O Poder do Mito, 1990, p.3.  

“Por que mitos?” Com essa pergunta, Bill Moyers abre o primeiro capítulo, dando espaço para que Joseph Campbell possa falar sobre seu tema favorito. Ele começa com jogo de cintura, ao afirmar que é necessário interesse prévio pelo assunto para ver seu valor. Em seguida, começa sua aula, como quem diz: você está aqui, imagino que saiba quem sou eu, vou dar-lhe a oportunidade de assistir a esta aula, a educar-se em público (para o entrevistador), a ter o que veio buscar (para o leitor). Entre outras coisas, fala sobre “literatura do espírito versus notícias do dia”. O que vem a ser isto? É a herança humana que fala dos valores atemporais, que remetem ao nosso íntimo. Nas palavras dele: “Quando um dia você ficar velho e tendo as necessidades imediatas todas atendidas, então se voltar para a vida interior, aí bem, se você não souber onde está ou o que é esse centro, você vai sofrer.” Ou, nas minhas palavras: o primeiro trata de autores clássicos, todos mortos, que escrevem (talvez com sons ou com cores, não importa) sobre a essência da vida, que é a mesma em qualquer lugar e em qualquer época; também de um ou outro autor contemporâneo que realmente toque o coração e enseje uma mudança de chave em direção ao bem comum. Já o segundo fala sobre problemas coletivos que impactarão o dia-a-dia de cada um, superficialmente, e em poucos dias serão esquecidos por causa de novos problemas; também sobre alegrias de mesmo teor. 

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